Wednesday, February 16, 2011
...
T(r)emor

Porque te temo?
Temo o que me fazes sentir e não a ti….
Temo as sensações que havia esquecido e
Que reavivas sem pudor, sem medo.
Como se fosses alvorada
e me despertasses de um sono
Antigo, cómodo, insípido.
Encontraste-me no mar morto,
Onde nada acontecia, nada se ganhava
Nada se perdia…
Estava só, rodeada de mundo, de gente
Seres comuns, que entre um e muitos
Eram todos o mesmo, ninguém.
Boiando numa tranquilidade aparente.
Porque me acordas se não estás aqui?
Porque sopras esse encanto e me pintas
De todas as cores que gosto
Porque me tiras do cinzento?
És meu alento, meu sopro de vida,
Meu canto, meu conforto, meu tormento.
Temo a falta que me fazes sem te ter
Temo o que vem, o que irá acontecer
Temo cada momento
Cada segundo
Cada suspiro
Mudaste o meu mundo
Num tímido apelo, num múrmurio.
E baixinho, segredaste-me ao ouvido…
Algo que não percebi, e que temo nunca mais ouvir.
Temo que o amor se tenha lembrado de mim
E que eu o esteja a deixar fugir.
Don't say goodbye, let accusations fly, like in that movie. You know the one where Martin Sheen waves his arm to the girl on the street.
"this place, this hotel lounge
it's my daily bread...
but i'm underfed"
he asked:
"are you living in the night?
cause i can tell you have a lousy imagination
and as a matter of speaking
i hate this situation...
but it happens to be one of my pickin'"
"cause it's so hard
to keep the dream alive
cause if it all comes down to this
how will..."
you move me, you move me |
you move me around around, i guess |
take it back your analogue |
it's on the other side of this |(x2)
cause if it all comes down to this
how will...
and then she said:
"and have another cigarette"
i tend to forget (but anyway i don't smoke that shit)
i hoisted the flag
but it keeps hanging down
"you know this place, this hotel lounge
it's my life, it's my choice
and i'm in love
with ricky lee jones' voice"
cause it's so hard
to keep the dream alive
and if it all comes down to this
how will...
you move me, you move me |
you move me around around, i guess |
take it back your analogue |
it's on the other side of this |(x5)
how will glamour survive? (x4)
and if it all comes down to this...
"this elevator only takes one down", she said,
"this place in this same old town"
"do you see that man
in the left-hand corner
do you see that woman
their love-story's famous"
Sunday, November 29, 2009
momento de ternura #1
De amor nada mais resta que um Outubroquanto mais amada mais desisto
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
Poema: NATÁLIA CORREIA
Tuesday, November 17, 2009
Procura-se um amigo

"Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive."
Vinicius de Moraes

